sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Arriscos novos


Um blogue novo, por quê? Ora, isto não é de provocar espanto em ninguém! Afinal, a novidade e seus penduricalhos compõem o espírito de nossa época. Todos os súditos tornaram-se reis e todos os reis querem roupas novas, especialmente tecidas para si. Os alfaiates estão a postos, cosem freneticamente variados mantos que só os tolos não enxergam: o novo modelo do carro, a nova funcionalidade do smartphone, o novo conceito de moradia, a nova sala de estar, o novo pacote turístico, a nova dieta a jato, o novo ponto de encontro, a nova parada do sucesso, o novo formato do nariz, a nova organização da empresa, o novo tempo de giro, a nova celebridade da hora, o novo escândalo nas manchetes, a nova calça da moda, o novo estilo de vida, os novos filhos da puta! Novos antiquários que se formam a cada instante e se cruzam no meio da rua.
— As novas, eu lhe perguntei quais são as novas! – insiste a nova amiga do irmão.
— São velhas... – responde o novo museu da aldeia.
Os alfaiates enriquecem e – essa é nova! – não precisam fugir. Menino algum haverá de gritar:
— Mas os reis estão nus!
Calma, jovem! Não me tome por conservador empedernido. Cinco palavras e uma vírgula em minha defesa: conservar ou inovar, conforme preciso. Acima de tudo, a velha liberdade contra os novos inimigos: a propaganda invasiva sob a pele de cordeiro, as fórmulas de ajuda em frasco de elixir sanativo. Uma única fórmula é necessária: ousa pensar por tua conta e risco! 

Então, um blogue novo porque ele é preciso. Ou melhor, porque eu preciso! O Arriscos antigo cumpriu sua função: fez-me criar uma disciplina de escrita. Desde que o criei, em 2006, a necessidade de mantê-lo atualizado obrigou-me ao exercício constante do ofício. Aventurei-me em vários gêneros, arrisquei-me por outras páginas e publiquei um livro. É hora de dar o passo seguinte. Descobri-me escritor. Agora, quero descobrir os leitores.
O provedor antigo não me permitia mais que postar textos e imaginar meia dúzia de amigos passando os olhos generosos pelos meus riscos. Aqui, descobrirei se tenho meia dúzia ou uma dúzia completa de leitores, terei espaço para interagir com esse pequeno público e praticarei minha nova (vejam só!) divisão do trabalho: postagens menores e constantes no blogue, textos mais elaborados à procura de abrigo em outros lugares e, para consumo particular, um diário intelectual.
Há quatro anos e meio, eu era um bacharel recém-formado em Direito, dividido a contragosto entre decorar códigos para concursos e decalcar velhos desejos contidos. Hoje, divido-me entre projetos acadêmicos e literários que possam resgatar-me do cativeiro burochático onde a decoreba dos códigos me trancou. Os preparativos para o doutorado prosseguem, apesar de recentes tropeços. Um livro infantil está pronto e um contrato editorial pode estar a caminho. O novo blogue talvez colabore com eficácia para a alforria...

Enfim, o novo Arriscos é o seguinte:
À direita, há indicações de sítios e blogues, uma caixa de pesquisa e marcadores que facilitarão o resgate de alguma postagem antiga. Além disso, haverá sempre uma enquete e um trecho interessante de alguma obra literária ou filosófica, a ser periodicamente atualizados. Outras funcionalidades deverão ser exploradas com o passar do tempo.
As postagens serão freqüentes e mesclarão textos e vídeos. Quanto aos assuntos e ao estilo, o compromisso é velho: o exercício incessante para aperfeiçoar a linguagem e o amadurecimento gradual das idéias literárias, filosóficas e políticas. Não seria excessivo acrescentar a tudo isso certa ética intelectual: a utilidade do texto por princípio. 
Então, é isso, leitor: acesse, navegue e ancore. Enfim, seja sempre bem vindo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário