terça-feira, 10 de maio de 2011

Histórias... estórias...



Estou a ponto de final-pontear meu livro infanto-juvenil. Comecei a escrever tendo em mente uma criança até perceber que minha criança já era um pré-adolescente. Então, imagino que meu leitor será um ser humano por volta dos doze anos de idade, que ora está brincando de esconde-esconde, ora está falando a sério enquanto os adultos brincam com ele. Vou abrir um centímetro da cortina para os leitores do Arriscos:


Os tios se entreolharam, novamente, sorrindo.
— Meu bem, há várias versões para a origem do mundo. Cada povo narrou sua versão e, hoje, a ciência também oferece uma.
— E qual delas é a verdadeira?
Um, dois, três segundos de silêncio e, enfim:
— Vamos fazer o seguinte. Você não me pediu que lhe contasse histórias antes de dormir? Então, hoje à noite, eu vou lhe contar a versão da ciência para a origem do mundo.
— E o que a versão da ciência tem que as outras não têm?
— Calma, garota, calma. Primeiro, ouça. Depois, tire suas conclusões...
Quatro, cinco, seis segundos de silêncio e, então:
— Está bem. Tia, você pode me dizer só uma coisa?
— Uma só.
— Na versão da ciência, os animais surgiram pequenos ou grandes?
— Nem uma coisa nem outra! Segundo a ciência, eles sequer surgiram de uma só vez. Foram aparecendo aos pouquinhos...
— E qual deles apareceu primeiro?
— Alguma coisa que nem animal era!
           Soraia arregalou os olhos, franziu a testa, fez bico e não entendeu mais nada. Ficou quietinha pensando, imaginando e aguardando a noite chegar, na esperança de compreender algo em toda essa história... ou seria estória? Quem saberia?


Espero escancarar a cortina daqui a alguns meses. Aguardem!

 


Imagem disponível aqui.



2 comentários:

  1. Que coisa boa, poeta.
    Ficou o gostinho de quero mais.
    abraço.

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  2. Obrigado, poeta!

    Espero que o "mais" também mereça sua acolhida, quando vier.

    Abração.

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