quinta-feira, 20 de outubro de 2011

profanoração



O poema abaixo foi publicado (sem tabulações) no blogue do CAIXA BAIXA. Se você é maior de idade, avó, mãe, sogra, carola ou uma pessoa muito religiosa, saiba que estes versos são um sacrilégio e prossiga na leitura, caso o deseje, por sua conta e risco.

*

pai nosso, ora bolas
onde estás?
no céu ou na boca
das velhas carolas
ou te entocas
em vis pedestais?

santificado, não sejas
poeta de nome maldito
pois sopraste no barro as cerejas
mas deixaste o licor interdito
            entretanto estas ervas que cheiras
            entorpecem teu mundo de absinto

não te metas no meu reino
nem me peças, por capricho
o sacrifício de um filho
            ou renúncia do recreio

que a terra seja o céu
e teus anjos
com trombetas
tocando anis punhetas
guarneçam o bordel

o pão nosso é nossa sina
cada qual procura o seu
e, por terem uns mais que outros,
uns aos outros assassinam
enquanto volves o rosto
nos largando neste breu

as ofensas que empenhamos
ao final compensaremos
com os rombos do teu banco
            só não queiras que durante
            a feitura desta dívida
            não caiamos aos montantes
nos prazeres da malícia

se assim fizeres acordo
cumpriremos nossa parte
sem alarde e com decoro

assim seja
bem aqui
e no além
                                                       *

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