quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Os Clientes - trecho



Tenho me dedicado recentemente a dois projetos literários de longo alcance, que exigem mais fôlego: a conclusão do próximo livro de poemas e a elaboração de minha primeira peça. Assim, considerando que escritores têm vida profissional dupla, sobra pouco tempo para postagens no Arriscos. Então, segue um trecho de Os Clientes, o drama a caminho. 
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(A sala de jantar fica deserta. Na rua, dois estudantes despontam na esquina.)

PRIMEIRO ESTUDANTE

Que aula chata! Estou cansado...
Já ouço a cama chamando.

SEGUNDO ESTUDANTE

Estou cansado... entretanto
A qualquer festa iria grato!

PRIMEIRO ESTUDANTE

É tarde! Vamos dormir...
Amanhã, teremos provas.

SEGUNDO ESTUDANTE

Tarde o quê?! São nove horas!
Sinto agito por aqui...

(Os dois estudantes param. Observam a rua. Vêem a casa iluminada e, através da janela, a mesa posta. Vêem algumas pessoas se aproximando a partir da esquina oposta.)

PRIMEIRO ESTUDANTE

Mais cem metros, chegaremos.
Logo ali o apartamento.

SEGUNDO ESTUDANTE

Espere aí! Não percebe?!
Esta rua está alegre!

PRIMEIRO ESTUDANTE

Calçadas, árvores, casas,
Eu, você e além? Mais nada!

SEGUNDO ESTUDANTE

Há mais luzes que o comum...
E os carrões que estão parando?
Vejo ali um grupo estranho...
Eu não vou a canto algum!

PRIMEIRO ESTUDANTE

Então, até! Sigo em frente.
Deixo a sopa na panela?

SEGUNDO ESTUDANTE

Vai, então! Eu fico. (gritando) Alerta!

PRIMEIRO ESTUDANTE
Ahhh! (Pulando assustado)
Imbecil! Não grite ao léu!

SEGUNDO ESTUDANTE

Bem se vê que tenho mente!

PRIMEIRO ESTUDANTE

Bem se vê que é um pinel!

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