domingo, 20 de novembro de 2011

poema de circunstância


Tão importante quanto ler livros é folheá-los. A leitura é lógica, o folheio é poético. Há dois ou três dias, errava por um livro quando topei com um poemeu escrito por ocasião do soterramento dos mineiros chilenos em 2010. Trata-se de um poema de circunstância, cuja publicação talvez seja agora desinteressante. Largo-o aqui e aguardo o efeito.

*

 trinta e três mineiros
imersos no escuro

a terra lhes serve
de ventre ou de túmulo?

são pais e maridos
e filhos comuns

que o risco da morte
transforma em luz

câmera e ação:

no palc'o espetáculo
na mina o canudo
a sugar
lentamente
minuto a minuto
do suco de cobre
as carnes em cubo

o grito engasgado
nas minas de ossos
angústia e músculos

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Imagem disponível aqui.

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5 comentários:

  1. Vi o endereço do seu blog no twitter. Achei interessante. visatei sempre.parabéns.

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  2. Achei o endereço do blog no twitter também. parabéns ai.

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  3. Prezados André e Leonardo, agradeço a visita e os comentários. Sejam bem vindos e voltem sempre! Abraços.

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