quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

criação




O poemeu criação foi publicado ontem no blogue do CAIXA BAIXA. Para acessar este e outros textos de alguns dos autores paraibanos contemporâneos, clique aqui.

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Para Sérgio Castro Pinto

I

um sopro do espírito
que não vejo
sinto
baixar em meu peito
e animar
o pulso direito
entre a voz
e o ouvido voraz
sou o medium

quem sopra as narinas
do verbo
            é um deus
com hálito antigo
entretanto
seu bafo é incerto
tanto quanto
errante é seu rito

II

o homem assume
no penúltimo
            instante
conforma os sentidos
e dá nome
aos seres pulsantes
            entre o jato
            e o calco da tinta
            sigo o rastro

no sétimo dia
não existe
descanso
costela partida
perseguindo
as dores da lida
pelo gozo
da carne vibrante

III

o verso é criatura
inconstante
            as cores
emanam da pele
e caducam
a qualquer instante
a língua se banha
em reversos
distintos de antes

o poema é esfera
imperfeita
            que toca
a reta infinita
da matéria
em busca da forma
as letras recordam
a palavra
a ser repetida

IV

o espírito sopra
ondequando
            deseja
se o vento já esgota
a janela
dobrando a cortina
se fecha

*

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