quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Seu Lea



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O homem alto e magro aprumou-se sobre os pés. Suas orelhas, largas, pareceram estreitar-se. Seus olhos, estreitos, pareceram alargar-se. Finalmente, pronunciou algo semelhante ao que ouvira, mas os sons que saíram de sua boca não coincidiram com a leitura exata do vendedor. Os dois silenciaram por um instante. O outro decidiu-se:

— Bem, vale o que está escrito!

Uma, duas, três, quatro, cinco, seis carimbadas. O homem lançou sobre o balcão um maço de notas sujas e envelhecidas, que o vendedor organizou e contou a contragosto.

— Suas passagens, seu troco. Próximo!

[...] 


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A primeira parte do meu conto Seu Lea, dedicado ao meu avô materno, no blogue do Núcleo Literário CAIXA BAIXA.

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Mapa de Hubei, província chinesa de onde o Lea Fook Shiam de carne e osso partiu, para a jornada que o fez montar lavanderia na Rua Maciel Pinheiro, em Campina Grande.

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