quarta-feira, 20 de março de 2013

dissonante




a tarde avança o braço e traça a corda

e volve a face em cru carnaz

                                                o algoz

carimba sobre a pele aberta a placa

e empurra o corpo em cima do avelós


a noite acolhe a carne à hora exata

que marca sobre o dedo um ponto negro

           forçando de entre os dentes

                                                         toda a horda

           aguarda em dó menor compasso allegro


a madrugada encerra o gado

                                               o sono

descerra o berro, ordena larga ao sino


e lança o casco arisco em mil borrascas


de encontro à crost'ao manto e ao núcleo ígneo

  
a aurora traz a luz que

                                     vil devassa
impede Adão de regressar ao éden
          devolve o velho e mascarado rosto
          ao lodo vil por onde as cobras fedem

e a língua engole a seco a trama urdida

enquanto o peito espreme o grito aborto

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