domingo, 2 de fevereiro de 2014

veraneio




manhã de domingo
            a vida a passeio
            na areia da praia:

cadeira, sombreiro
a pá e o baldinho
piscina com mijo
e a pança mais larga

pegadas molhadas
traçando cruzeiros
pequenos torneios
e barcos vadios

carrinhos com sino
bumbuns com pataca
barzinhos sem vaga
e pipas sem freio

manhã de domingo
            a vida a passeio
            na areia da praia...

anêmona murcha
e um bicho-tinteiro
também caranguejo
alheio à passada

jangada ancorada
em caras enxutas
estórias malucas
de emalhes e cercos

agulhas ao meio
estrelas quebradas
siris só na casca
moqueca nas cucas

manhã de domingo
            a vida a passeio
            na areia da praia?

*

Este e outros poemas, inéditos ou publicados, estarão no meu próximo livro, que ainda se encontra na oficina, mas já emite sinais de que logo me fará entrar em trabalho de parto.

2 comentários:

  1. Thiago, só me incomodou a interrogação no último verso. Será que é tão necessária?

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  2. João, escrevi o poema pensando em reproduzir a experiência de quem se põe diante de uma tela que primeiro exibe (:), depois leva à hesitação (...) e, por fim, instala a dúvida (?). Será que isso justifica os sinais? Ou eles são mesmo dispensáveis para isso?

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