domingo, 18 de outubro de 2015

noturno em Ottawa


são tantas horas que não sei se volto
ao quarto, que me aguarda quente e limpo
          ou vago pela rua como o esquilo

          que fuça o lixo e volta sujo o rosto

hesito como sempre não decido
até que a sorte e o azar de um dado louco
terminem de dançar e em branco sopro
sussurrem soma e seta ao pé do ouvido

esquerda esquerda esquerda e torno a ver
à luz que ainda há pouco me aquecia
o esquilo – noz na boca, dá no pé

a sorte vai com ele e o azar, na esquina
sorrindo mais hediondo que Voltaire
convida a ver o que é que sempre fica

*


Primeiro de uma série - a ver.

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